A partir de um dos inquéritos do mensalão, a Polícia Federal apreendeu documentos em casas e escritórios do lobista Luiz Carlos Garcia Coelho e do ex-vice-presidente do BMG Roberto Rigotto. As buscas foram pedidas pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e autorizadas pelo ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Coelho foi acusado pelo ex-genro, o advogado Bruno Miranda Lins, de intermediar as negociações que permitiram ao BMG ganhar uma considerável fátia do mercado de crédito consignado na cobiçada folha de pagamento do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).A polícia suspeita que a primeira fase das negociações entre o BMG e o governo federal em torno do crédito consignado em folha está na origem do mensalão, pagamentos do PT em troca de apoio dos partidos da base governista entre 2003 e 2004, o maior escândalo do governo Lula.Na terça-feira da semana passada (17) , a polícia aprendeu documentos em 12 endereços de Rigotto e Garcia Coelho em Brasília, Belo Horizonte e na Bahia. Os investigadores estão em busca de novos indícios que reforcem as supostas ligações entre Coelho, Rigotto e outros políticos e funcionários públicos que tiveram participação no convênio entre o BMG e o INSS. Para a polícia e o Ministério Público, os indícios já são suficientes para incriminar Coelho e Rigotto por corrupção. Entre as provas levantadas pela polícia, está até o registro de um encontro secreto entre os dois.A Polícia Federal começou a investigar os negócios entre o BMG e o INSS a partir do inquérito principal do mensalão. As suspeitas sugiram a partir da descoberta de generoso empréstimo do banco ao PT, numa transação comandada pelo empresário Marcos Valério, um dos operadores do mensalão. Mais tarde, as investigações foram reforçadas com as denúncias do advogado Bruno Miranda. Em depoimento prestado à Polícia Federal no final de 2007, Miranda relacionou os supostos negócios ilegais do ex-sogro ao ex-presidente do INSS Carlos Bezerra.Bruno acusou Coelho Garcia de intermediar suposto pagamento de propina a Bezerra e a outros importantes líderes do PMDB com influência sobre a Previdência Social, entre eles o senador Renan Calheiros (AL). Bruno não apresentou provas materiais, mas forneceu pistas que permitiram a polícia avançar na apuração. Quando as denúncias vieram à público, Bezerra, Calheiros e outros citados rebateram as acusações. Para eles, Bruno estava fazendo denúncias sem provas para atingir o ex-sogro e, ao mesmo tempo, pegar carona no escândalo que resultou na queda de Renan da presidência do Senado. Garcia Coelho também já foi interrogado no inquérito sobre as negociações com o BMG e negou as acusações. Para Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado de Garcia Coelho, as denúncias contra o cliente já foram devidamente rebatidas e, por isso, não haveria razão para novas buscas de documentos. - Não temos preocupação com o que foi apreendido, mas sim com os motivos da busca. O depoimento dele (Bruno) é completamente maluco - afirmou Castro.O BMG informou, por meio da assessoria de imprensa, que Rigotto não trabalha mais no banco. Em relação as demais acusações, a diretoria do banco respondeu que "o Banco BMG desconhece o assunto". Fonte: O Globo On Line
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